quinta-feira, 20 de março de 2014

Geraldo Carneiro





cancan do exílio                          

o Brasil é uma ilha de tranquilidade
o Brasil é uma ilha
o Brasil é uma
o Brasil é?
ser ou não ser, esta é a questão
será mais nobre desafiar o tempo
etc. etc. e tal
ou desafiar o aparelho policial?
eu, se fosse você
brincando brincando
escolheria a primeira hipótese
democracia é o cacete




domingo, 16 de março de 2014

Gastão Cruz

Elegia da esperança


2
Moves as palavras que palavras são
encontro diante distante e saudade
moves as palavras agora que
o mundo pois alastra e esquece
em todas as noites do corpo contando
que corpo contém palavras mais que
continente é pois distância palavra
quanto mais um homem dizendo palavras
disperso na terra na noite do mar
quanto mais de sangue depois de dizer
que a treva se faz e pode lembrar
e pode esquecer e pode a esperança
renascer ainda que disperso canse
e cante disperso diante do mar



Notícia

Entrevista

quinta-feira, 6 de março de 2014

Odylo Costa, filho



Poema da simples alegria


A alegria estava do lado de dentro da casca das 
                                                                 árvores
e subiu na manhã.


A alegria me trouxe um ramo claro de acácias
boiando numa cumbuca partida de mel.


A alegria me trouxe para perto do mar
e eu mergulhei a cabeça nos tanques da meninice.


Onde estais, arapongas, que vos ouço e não vejo?
Estais é no fundo do mar.
Estais é nas casas dos morros.
Estais é no ar.







ABL

Mais poemas

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Mário de Andrade



Momento (Abril de 1937)

O vento corta os seres pelo meio.
Só um desejo de nitidez ampara o mundo...
Faz sol. Fez chuva. E a ventania
Esparrama os trombones das nuvens no azul.

Ninguém chega a ser um nesta cidade,
As pombas se agarram nos arranhacéus, faz chuva.
Faz frio. E faz angústia... É este vento violento
Que arrebenta dos grotões da terra humana
Exigindo céu, paz e alguma primavera.

sábado, 24 de agosto de 2013

Manuel Botelho de Oliveira

Persuade a Anarda que ame


Anarda vê na estrela, que em piedoso
          Vital influxo move amor querido,
           Adverte no jasmim, que embranquecido
           Cândida fé publica de amoroso.

Considera no Sol, que luminoso
          Ama o jardim de flores guarnecido;
          Na rosa adverte, que em coral florido
          De Vênus veste o nácar lastimoso.

Anarda pois, não queiras arrogante
          Com desdém singular de rigorosa
          As armas desprezar do deus triunfante:

Como de amor te livras poderosa,
         Se em teu gesto florido e rutilante
         És estrela, és jasmim, és sol, és rosa?







sábado, 16 de março de 2013

Ana Hatherly

A ausência


Oh como te ex-amo
como tudo se torna direção imprecisa

É uma coisa terrível
tudo ser tão evidente
no seu vazio
           controverso
                     verso

Seta por dentro
a onda vive de perfil o seu ex-ato
imprecisando as criaturas

Oh como o eu-outro aflora culminando
falo contigo
mas é um outro que contigo fala
um outro
que ex-amadamente arde ainda

Não vês a curva da parábola?

A face do amor é ausência de rosto.




Entrevista


Bio

Lélia Coelho Frota

Princípio

A morta abriu o dia radioso
com a cortina da sua desdedida.
Partiu no meio os cabelos vagarosos
escorrendo ainda de lembranças,
vestiu o vestido precioso
e saiu à procura, sôfrega,
de outras tantas,
                             verdadeiras vidas.



A arte popular

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